Nos textos abaixo, primeiramente transcrevemos
a matéria publicada no jornal local
NARIZ DA ÍNDIA em novembro de 1999,
época da inauguração
da Pousada Arboretum. O artigo é
muito interessante, pois mostra como surgiram
as primeiras pensões em Penedo.
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JORNAL
NARIZ DA ÍNDIA
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O
turismo em Penedo começou com
os finlandeses recebendo os hóspedes
em suas próprias casas, nas
décadas de 30 e 40. Pois agora
uma dessas primeiras pensões
- a casa do casal Emil e Lydia Reiman
- será restaurada e voltará
a funcionar tentando resgatar o espírito
daquele tempo: simplicidade e integração
com a natureza.
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Repassamos também para nossos clientes
a tradução do finlandês
para o português de um documento muito
importante. Trata-se da carta escrita em
30 de setembro de 1945, logo após
o fim da Segunda Guerra, por Emil e Lydia
Reyman a seus parentes na Finlândia.
Esta relata de forma peculiar a preocupação
com o destino pós-guerra de seus
familiares do norte como também dão
notícias do Brasil incluindo a conclusão
da casa de 8 quartos para alugar aos turistas,
que começavam a freqüentar Penedo.É
o nascimento da atual Pousada Arboretum,
que tanto orgulho nos traz.
PS. A carta original nos foi dada de presente
pelo sobrinho do Sr. Reyman e sua esposa
quando da visita do casal ao Brasil em Novembro
de 2001 . Na oportunidade tivemos como confirmar
e reviver diversas histórias sobre
o casal Reyman e esta bela propriedade de
Penedo.
Texto
do Jornal Nariz da Índia
JORNAL NARIZ DA ÍNDIA O turismo em
Penedo começou com os finlandeses
recebendo os hóspedes em suas próprias
casas, nas décadas de 30 e 40. Pois
agora uma dessas primeiras pensões
- a casa do casal Emil e Lydia Reiman -
será restaurada e voltará
a funcionar tentando resgatar o espírito
daquele tempo: simplicidade e integração
com a natureza.
O projeto tem tudo para dar certo, pois
à sua frente está o casal
de geólogos e ecólogos Otávio
e Vanessa Miranda - ele, frequentador de
Penedo desde os anos 50, quando, ainda menino,
passava aqui as férias com seus sete
irmãos na então famosa "Casa
dos Oito". Formado em horticultura
e jardinagem nos Estados Unidos, Otávio
pensa em integrar a hospedagem com pequenos
cursos e vivências com a flora e a
fauna da Mata Atlântica (a casa dos
Reiman fica no início da mata do
Córrego Frio), buscando assim a filosofia
original da Colônia Finlandesa, que
era naturista.
Os primeiros hóspedes
de Penedo, ainda na década de 30,
vieram mesmo para a antiga casa colonial
da Fazenda de Café, única
residência então existente,
que ainda hoje resiste, com suas paredes
de adobe.
A fazenda foi a morada comum das primeiras
levas de imigrantes e, sob o comando de
dona Liisa Uuskallio, dava abrigo a curiosos
que queriam passar uma temporada entre aquela
"exótica" gente nórdica.
Toivo, marido de Liisa e líder da
colônia, em geral estava no Rio de
Janeiro, tentando conseguir financiamento
para alguns projetos.
Reservas
eram feitas por carta
Na década de 40, as famílias
melhor estruturadas e já estabelecidas
em suas próprias casas, passaram
a receber ali os hóspedes. Não
se usava o termo "pousada", e
sim "pensões", e elas eram
conhecidas pelos nomes das donas da casa.
Assim, havia a pensão de dona Hilja,
atrás do antigo clube; a pensão
de dona Siiri (Hoje o Hotel Bertell); a
pensão de Helma e Vivi (depois Chácara
das Duas e hoje Hotel Pequena Suécia),
e a pensão de dona Lydia, como era
chamada a casa dos Reiman.
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Como nesse tempo ainda não
houvesse a Via Dutra, as pessoas vinham
de trem do Rio até a estação
de Marechal Jardim e eram buscadas
ali em carros de boi, que as traziam
até as pensões. Não
havia o turismo de fim de semana.
Era o turismo de temporada. Vinha-se
para se passar um mês ou mais
tempo descansando e curtindo a natureza.
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Como nesse tempo ainda
não houvesse a Via Dutra, as pessoas
vinham de trem do Rio até a estação
de Marechal Jardim e eram buscadas ali em
carros de boi, que as traziam até
as pensões. Não havia o turismo
de fim de semana. Era o turismo de temporada.
Vinha-se para se passar um mês ou
mais tempo descansando e curtindo a natureza.
As pensões, por serem as próprias
casas das famílias, não ofereciam
grandes luxos. Os quartos eram sem banheiro,
e poucos - dois ou três no máximo.
Em ocasiões de maior procura, como
por exemplo na época do carnaval,
os donos da casa às vezes dormiam
na sala, ou até mesmo dentro da sauna,
para acomodarem os que chegavam. As reservas
eram feitas por carta.
Inauguração da Via Dutra mudou
o perfil da estância turística
Com a inauguração da Via Dutra,
em 1951, as pensões foram se profissionalizando
e tornando-se "pousadas" e "hotéis".
Começou o turismo de fim de semana,
com reservas feitas por telefone. No início
um único telefone, instalado na venda
de seu Chico Paulino, onde hoje é
o Largo Finlândia. Foi por esse tempo
que Emil Reiman morreu num acidente de automóvel,
interrompendo a história da pousada
dos Reiman.
Para se ter idéia do que era a precariedade
das antigas pensões finlandesas em
relação aos hotéis
de hoje, basta ver que Otávio Miranda
vai ter apenas um apartamento dentro da
sede da antiga casa dos Reiman. Os outros
cinco ele vai construir a partir de um anexo
à parte. A partir de fotos antigas
guardadas no Museu Finlandês, a casa
dos Reiman, com fortes traços de
arquitetura européia, será
reconstituída fielmente.
Segundo Otávio, o trabalho não
vai ser muito difícil, pois a estrutura
está em bom estado, sendo preciso
apenas trocar algumas janelas e cuidar de
outros detalhes. Ele e a mulher pretendem
também manter na sala da casa a memória
da família Reiman, através
de fotografias e informações
que localizem aquela família dentro
do contexto da colônia.
Todos os apartamentos terão lareira,
apesar de Otávio afirmar que não
está preocupado em oferecer muito
luxo. "Eu não posso concorrer
com a suíte que o paulista já
tem no Morumbi, mas posso oferecer a ele
a mata que se estende por trás da
pousada".
É na mata que estão os maiores
planos de Otávio. Quer abrir algumas
trilhas, acessando a pontos onde estabelecerá
criatórios para pássaros.
"Quero que as pessoas possam observar
a beleza dos tucanos, dos jacus, dos pássaros
em geral. Vou abrir também uma trilha
beirando o córrego Frio, por onde
eu passeava quando era menino".
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LIISA UUSKALLIO
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Bolinhos
de Proust
Nessa "busca do tempo perdido",
Otávio tem uma lembrança
olfativa, como a dos Bolinhos de Proust.
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Trata-se
um determinado pão que era feito
por Dona
Liisa Uuskállio e cujo aroma,
ele descobriu há pouco, devia-se
a um tempero chamado cardamom muito
usado na Índia e na Escandinávia. |
Pois Otávio quer
servir o pão cardamom no seu café
da manhã acompanhado de geléia
feita em casa e outros ítens puxados
para o leve e o natural.
De dois em dois meses, ele pensa em promover
o que chama de "Fim de Semana das Flores",
onde hóspede poderá fazer
pequenos cursos intensivos de jardinagem
nas estufas e nos canteiros da Pousada,
aprendendo técnica de plantio, poda,
multiplicação, divisão
e arranjos. Isto porque Otávio não
só é um mestre em jardins
- formado em Horticultura nos EUA - como,
mais que isso, ama a matéria e é
capaz de passar horas discorrendo sobre
ela. Afinal, ele é o dono da firma
"Arboretum" que, entre outros
projetos, dá acessoria ao Hotel Pequena
Suécia.
Carta
traduzida do casal Reyman - 1945
Segue o texto da
carta do casal Reyman , traduzida gentilmente
pelo Sr. Timo Aaltonen , filho de um dos
colonos finlandeses.

Primeiro
trecho: escrito por Emil Reiman
Penedo,
30/09/1945
Obrigado
pela carta e por todo o seu conteúdo.
Nós temos ficado apreensivos após
tudo que vocês vivenciaram e por tudo
que lá aconteceu. Nada é pior
do que foi permitido, ou seja, vocês
foram preservados intactos, como se diz......Em
que direção?(?) As pessoas
de Valmelssum (?) foram obrigadas de se
mover (retirar)?
Como
está o tio H.. (?) e a vida dos demais
do oriente(?)?
Então
você encontrou lá também
o Masa (Apelido de Martti).Muitas felicidades
então para vocês nessa jornada
de vida. O que vocês estão
fazendo atualmente e o que o H...(?) está
aprontando? Ele não tem escrito nem
uma linha para nós. Imagino que mesmo
da vida dele haveria algo que valesse a
pena escrever. A Ulla e o Jonas estão
em algum lugar perto da estação
de Uusikilä ( Nova Vila ) recebemos
uma carta dela(E) até o momento.
Não se permitia correio daqui para
lá mas agora o caminho está
livre. Nós temos passado muito bem.
A crise generalizada aqui não afetou
não afetou a não ser na subida
de todos os preços. Aqui não
tem faltado nada e até na capital
Rio de Janeiro parece que houve filas para
manteiga e açúcar. Aqui na
nossa pequena Resende temos de tudo.
Nos
agora temos uma casa nova em outro lugar.
Vendemos aquela casa pequena anterior e
eu construir uma nova maior. Possui dois
andares, com 13m de comprimento e 8m de
largura. Em baixo temos 4 grandes quartos
e uma sala 4x8. Em cima também temos
4 quartos e uma sala 5x4.Temos também
uma grande varanda na frente, cozinha e
a sauna com água quente e chuveiro.
Também 2 cavalos , carroça
e duas vacas. Lydia espera que uma dê
cria em breve. Ainda temos um começo(?)
de touro, 2 gatos, um cão esperto
( Lippo(?)) e 50 galinhas, um monte de pintinhos,
cisnes e seus filhotes. Certamente você
vai contar para a Mãe. Lembranças.
Então muitas calorosas lembranças
nossas a todos desta terra....(?). Não
temos visto neve durante estes dezesseis
anos e nem o termômetro desceu aos
zero graus. Você tem estado em contato
com os irmãos Lempiainen? Com o Ville,
o Kalle e com oSal(?) e com o tio?Onde anda
o Ville e gostaria de saber algo dos vários
amigos, que não consigo nomear. Então
lembranças de Lydia e Emil a todos
que lá estão.
O
endereço mudou um pouco
Penedo
Agulhas Negras
E.do Rio
C. Brasil

Segundo
trecho: escrito por Lydia Reiman
Querida
Lyyli!
Eu
também aqui escrevo algumas linhas.
Parabéns
de coração pelo seu casamento.
Como você pode ver, a terra não
nos tragou. Através da cruz do Puinamen(?)
não tivemos nenhuma notícia
de lá. Não conseguimos responder
às cartas porque o correio não
tem aceitado correspondência para
o exterior. Nós também temos
tido muita vontade de encontrar vocês
todos e nossa querida terra natal, mas não
sabemos se isso vai se concretizar, pois
a viagem é muito cara. Nós
agora temos uma casa grande para receber
veranistas. Para dar conta durante a temporada
tenho até duas empregadas, mas há
épocas do ano que ficamos os dois
só na casa grande. Nesses momentos
aproveito a vida para descansar. Quando
temos visitas tenho trabalho e preocupações.
Mas trabalho por prazer e fico orgulhosa
de ser capaz de fazer algo.
Então
nada mais do que calorosas lembranças
a você e ao seu marido H. Caso você
tenha a oportunidade, para a família
do (?) e para as mesmas lembranças.
Aqueles
melhores votos de bem estar para vocês
todos. Deseja a Lydia ( na vertical): Peço
desculpas pois a carta molhou logo ao sair.
Choveu.