No texto abaixo, transcrevemos uma matéria
publicada no jornal local NARIZ DA ÍNDIA,
em novembro de 1999, época da inauguração
da Pousada Arboretum. O artigo é
muito interessante, pois mostra como surgiram
as primeiras pensões em Penedo.
|

JORNAL
NARIZ DA ÍNDIA
|
O
turismo em Penedo começou com
os finlandeses recebendo os hóspedes
em suas próprias casas, nas
décadas de 30 e 40. Pois agora
uma dessas primeiras pensões
- a casa do casal Emil e Lydia Reiman
- será restaurada e voltará
a funcionar tentando resgatar o espírito
daquele tempo: simplicidade e integração
com a natureza.
|
O projeto tem
tudo para dar certo, pois à sua frente
está o casal de geólogos e
ecólogos Otávio e Vanessa
Miranda - ele, frequentador de Penedo desde
os anos 50, quando, ainda menino, passava
aqui as férias com seus sete irmãos
na então famosa "Casa dos Oito".
Formado em horticultura e jardinagem nos
Estados Unidos, Otávio pensa em integrar
a hospedagem com pequenos cursos e vivências
com a flora e a fauna da Mata Atlântica
(a casa dos Reiman fica no início
da mata do Córrego Frio), buscando
assim a filosofia original da Colônia
Finlandesa, que era naturista.
Os primeiros hóspedes de Penedo,
ainda na década de 30, vieram mesmo
para a antiga casa colonial da Fazenda de
Café, única residência
então existente, que ainda hoje resiste,
com suas paredes de adobe.
A fazenda foi a morada
comum das primeiras levas de imigrantes
e, sob o comando de dona Liisa Uuskallio,
dava abrigo a curiosos que queriam passar
uma temporada entre aquela "exótica"
gente nórdica. Toivo, marido de Liisa
e líder da colônia, em geral
estava no Rio de Janeiro, tentando conseguir
financiamento para alguns projetos.
Reservas
eram feitas por carta
Na década
de 40, as famílias melhor estruturadas
e já estabelecidas em suas próprias
casas, passaram a receber ali os hóspedes.
Não se usava o termo "pousada",
e sim "pensões", e elas
eram conhecidas pelos nomes das donas da
casa. Assim, havia a pensão de dona
Hilja, atrás do antigo clube; a pensão
de dona Siiri (Hoje o Hotel Bertell); a
pensão de Helma e Vivi (depois Chácara
das Duas e hoje Hotel Pequena Suécia),
e a pensão de dona Lydia, como era
chamada a casa dos Reiman.
|
Como nesse tempo ainda não
houvesse a Via Dutra, as pessoas vinham
de trem do Rio até a estação
de Marechal Jardim e eram buscadas
ali em carros de boi, que as traziam
até as pensões. Não
havia o turismo de fim de semana.
Era o turismo de temporada. Vinha-se
para se passar um mês ou mais
tempo descansando e curtindo a natureza.
|

|
As pensões,
por serem as próprias casas das famílias,
não ofereciam grandes luxos. Os quartos
eram sem banheiro, e poucos - dois ou três
no máximo. Em ocasiões de
maior procura, como por exemplo na época
do carnaval, os donos da casa às
vezes dormiam na sala, ou até mesmo
dentro da sauna, para acomodarem os que
chegavam. As reservas eram feitas por carta.
Inauguração
da Via Dutra mudou o perfil da estância
turística
Com a inauguração
da Via Dutra, em 1951, as pensões
foram se profissionalizando e tornando-se
"pousadas" e "hotéis".
Começou o turismo de fim de semana,
com reservas feitas por telefone. No início
um único telefone, instalado na venda
de seu Chico Paulino, onde hoje é
o Largo Finlândia. Foi por esse tempo
que Emil Reiman morreu num acidente de automóvel,
interrompendo a história da pousada
dos Reiman.
Para se
ter idéia do que era a precariedade
das antigas pensões finlandesas em
relação aos hotéis
de hoje, basta ver que Otávio Miranda
vai ter apenas um apartamento dentro da
sede da antiga casa dos Reiman. Os outros
cinco ele vai construir a partir de um anexo
à parte. A partir de fotos antigas
guardadas no Museu Finlandês, a casa
dos Reiman, com fortes traços de
arquitetura européia, será
reconstituída fielmente.
Segundo
Otávio, o trabalho não vai
ser muito difícil, pois a estrutura
está em bom estado, sendo preciso
apenas trocar algumas janelas e cuidar de
outros detalhes. Ele e a mulher pretendem
também manter na sala da casa a memória
da família Reiman, através
de fotografias e informações
que localizem aquela família dentro
do contexto da colônia.
Todos os
apartamentos terão lareira, apesar
de Otávio afirmar que não
está preocupado em oferecer muito
luxo. "Eu não posso concorrer
com a suíte que o paulista já
tem no Morumbi, mas posso oferecer a ele
a mata que se estende por trás da
pousada".
É na mata que estão os maiores
planos de Otávio. Quer abrir algumas
trilhas, acessando a pontos onde estabelecerá
criatórios para pássaros.
"Quero que as pessoas possam observar
a beleza dos tucanos, dos jacus, dos pássaros
em geral. Vou abrir também uma trilha
beirando o córrego Frio, por onde
eu passeava quando era menino".
|

LIISA UUSKALLIO
|
Bolinhos
de Proust
Nessa "busca do tempo perdido",
Otávio tem uma lembrança
olfativa, como a dos Bolinhos de Proust.
|
Trata-se
um determinado pão que era feito
por Dona
Liisa Uuskállio e cujo aroma,
ele descobriu há pouco, devia-se
a um tempero chamado cardamom muito
usado na Índia e na Escandinávia. |
Pois
Otávio quer servir o pão cardamom
no seu café da manhã acompanhado
de geléia feita em casa e outros
ítens puxados para o leve e o natural.
De dois
em dois meses, ele pensa em promover o que
chama de "Fim de Semana das Flores",
onde hóspede poderá fazer
pequenos cursos intensivos de jardinagem
nas estufas e nos canteiros da Pousada,
aprendendo técnica de plantio, poda,
multiplicação, divisão
e arranjos. Isto porque Otávio não
só é um mestre em jardins
- formado em Horticultura nos EUA - como,
mais que isso, ama a matéria e é
capaz de passar horas discorrendo sobre
ela. Afinal, ele é o dono da firma
"Arboretum" que, entre outros
projetos, dá acessoria ao Hotel Pequena
Suécia.